quarta-feira, 5 de março de 2014

Andando pelos caminhos da São Paulo Negra e Cultural

Na última sexta-feira dia 28/02 fizemos uma das atividades mais incríveis ao longo desse processo de formação no projeto "A Journey Through the African Diaspora". Fizemos uma atividade de campo pela cidade de São Paulo.
Iniciamos nossa atividade na Estação Barra Funda em frente a obra de Emanoel Araújo intitulada "A Roda"
Fonte: http://artenalinha.files.wordpress.com/2013/12/obra-de-emanoel-araujo-credito-lucas-malkut-_-blog.jpg
Para se compreender as permanências, as influências e as presenças culturais dos povos africanos traficados para o Brasil a atividade iniciou-se com a explanação de Claudinei Roberto sobre as diferentes leituras que podemos fazer da cidade de São Paulo. Essas leituras são necessárias para se compreender o sentido de pertencimento a metrópolis, todos têm o direito à cidade, ser cidadão é participar da vida da cidade, ser livre para ir e vir a qualquer canto e fazer valer o seu direito, não apenas reivindicar um lugar na cidade, mas lutar para que esse direito seja respeitado por todos.
O grupo foi instigado a perceber o perfil dos transeuntes da estação Barra Funda, bairro conhecido pela presença dos negros e se questionar se a presença destes e de outros grupos em outras estações de metrô.
Fomos em direção a estação Marechal Deodoro e observamos as obras do artista plástico Gontran Guanaes Netto intitulados "o Povo e a Liberdade"
Fonte:http://4.bp.blogspot.com/-KYfO4HOtcLc/ToparPO1eFI/AAAAAAAAAK0/mg2nHrdcWpE/s1600/3.JPG
Fonte: http://tecituras.files.wordpress.com/2010/03/declaration-of-rigts-of-man-and-citizen-painel-4-1989.jpg
Houve uma reflexão sobre os quadros e a busca pela liberdade, depois nos encaminhamos para a Avenida Francisco Matarazzo em frente a estação, naquela avenida há uma obra urbana chamada Elevado Costa e Silva, conhecido popularmente como Minhocão, esse viaduto liga a zona oeste a partir do bairro das Perdizes a ligação leste-oeste na região da praça Roosevelt ou popularmente chamada praça ROSA.
Esse viaduto divide os bairros nobres como Perdizes, Higienópolis, Santa Cecília, Consolação dos bairros mais populares como Largo do Arouche, República, Luz e Bom Retiro.
São Paulo é a capital mundial dos grafites, muitos artistas procuram espaços na cidade para expor sua arte, é uma manifestação do movimento de arte de rua, do Hip Hop vindo dos EUA apropriado e adaptado pelos jovens de periferia, em sua maioria formada de negros e mestiços, mostrando a sua realidade, além dos grafites existe o pixo ou pixação, forma de manifesto e expressão dos sujeitos excluídos da dinâmica da cidade.
Se a divisão não é institucionalizada, ou seja, oficialmente dito aqui só temos sujeitos de classes mais ricas, na observação de campo fica claro a divisão social e étnica que ocorre na região, novamente fomos motivados a observar os transeuntes dessas regiões. Da Estação Barra Funda para a Marechal Deodoro e bairro de Higienópolis muita coisa mudou, além de haver uma redução significativa da presença desses sujeitos, o que foi observado é que quando apareciam estavam exercendo profissões de baixa remuneração.

A primeira leitura promovida da cidade é de uma metrópole que exclui e divide os seus cidadãos, mas foi necessário descortinar o véu para perceber as contribuições do negro na construção de São Paulo.
No bairro de Higienópolis atualmente vive cidadãos de origem Israelense em sua maioria praticantes do judaísmo, no mesmo bairro abriga uma casa de gafieira antiga, conhecida como Clube Piratininga, a gafieira é um gênero musical de ritmos de raízes africanas como o batuque e o lundu, difundido nos morros e bairros cariocas como Gamboa e Saúde no século XIX, ganhou populariedade nos diferentes salões de dança incorporando outras danças como o Maxixe, a Polca, o Xote e o Lundu, essa dança também inspirou os ritmos do Samba carnavalesco e urbano.
Seguimos para o Santa Cecília e paramos em uma casa de Umbanda, são lojas que vendem artigos ligados as religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda.
Foi explicado a diferença entre os EUA e o Brasil e as possíveis razões de não haverem casas como essas por lá, também foi explicado sobre o significado da palavra "Orixá"- Ori = Cabeça, Xá = protetor, aprendemos sobre os processos de discriminação das religiões de matrizes africanas, bem como o Orixá Exu, ou Òrìsà Esù que foi associado pelos religiosos europeus ao diabo num processo de exclusão. Esse Orixá em algumas regiões da África está ligado a fertilidade e sua simbologia é o falo, objeto proibido nas religiões européias dos séculos XV.
Continua