sábado, 22 de fevereiro de 2014

Estudos sobre África e Cultura Afro-brasileira III

O COMÉRCIO
           As diferentes sociedades desenvolveram formas de vida adequadas a cada região, vivendo do que conseguiam retirar da natureza.  As populações costeiras ribeirinhas trocavam peixe seco por grãos cultivados nas regiões de savana; os produtos de tubérculos das áreas de floresta comerciavam com os pastores dos planaltos. Os diferentes grupos trocavam seus produtos por meio do comércio de curta ou longa distância. O comércio era outra forma importante de as sociedades se relacionarem, trocando não só mercadorias como ideias e comportamentos. O comércio era atividade das mais presentes na história de várias regiões  da África.  Os produtos eram negociados por pessoas vindas de longe, com costumes e crenças diferentes  que se misturaram a tradições locais.
           
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 Era com o comércio a longa distância que se conseguiam os maiores lucros, já o comércio a curta distância se articulava á vida da aldeia, das cidades  próximas, das províncias, envolvendo quando muito regiões vizinhas. O excedente de um grupo era trocado pelo de outro, assim a dieta alimentar podia ser variada. De mão em mão, esses produtos podiam percorrer grandes distâncias, cujo exemplo extremo é o caso das contas indianas e cacos de porcelana chinesa encontrados em escavações  na região dos zimbabués (A
República do Zimbábue, é um país da África Austral). A partir do século XV, quase todos mantinham algum tipo de troca com seus vizinhos  maios ou menos  próximos. Rotas fluviais e terrestres existiam nas bacias dos rios mais importantes e nas regiões  entre eles. A vitalidade do comércio  dentro do continente africano, de curta , média e longa distância, põe  por terra a ideia de sociedades isoladas uma das outras, vivendo voltadas apenas para si mesmas.


O sobrenatural
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      O mundo sobrenatural é o das religiões , da magia , ao qual os homens só tem acesso parcial, por meio de determinados ritos e cerimônias. O sobrenatural pressupõem a existência de algum tipo de realidade além da física. Já algumas sociedades africanas acreditam que toda vida na terra estava ligada ao além.  Essas forças sobrenaturais ou espíritos possuem dimensões que só especialistas, ritos e objetos sacralizados podiam atingir. Na costa da África que vai do Senegal até Moçambique,  na qual os portugueses e outros povos europeus negociavam escravos, e nas regiões  ligadas a esses litorais, quase tudo era explicado e resolvido por forças sobrenaturais. Estes guiados por seus vocabulários chamavam de feitiço as práticas e  mágico-religiosas que viam os africanos fazer. Geralmente os infortúnios eram  considerados frutos de ações impróprias, conscientes ou inconscientes.
          Se uma mulher não consegui se engravidar , se houvesse um furto ou se um filho ficasse doente logo oráculos eram consultados para que  as forças do além mostrassem as soluções. Os líderes depois de serem reconhecidos por membros de seus grupos ,  tinham que ser confirmados  pelos sacerdotes mais importantes , que trabalhavam para o bem da comunidade.

Principais elementos das religiões da África central

          Nos sistemas de pensamento de povos da África Central, pertencentes ao tronco linguístico banto, o mundo se divide entre uma parte habitada pelos vivos e outra pelos mortos, espíritos e entidades sobrenaturais. Era com essas forças que as pessoas buscavam orientação para lidar com os problemas. Eles podiam ser líderes que haviam comandado migrações e fundado novas aldeias; podiam ter introduzido um novo saber, como cultivar uma planta, processar um alimento, uma bebida; podiam ter tido acesso a um poder sobrenatural, como forjar o ferro, colocando-o à disposição das pessoas. Essas forças sobrenaturais ou espíritos se comunicavam somente por meio de um intermediário. 
Se a força criadora de tudo era inatingível, isto é, estava fora do alcance das pessoas e dos espíritos, o mesmo não acontecia com as outras forças sobrenaturais, que eram constantemente chamadas para resolver os mais diversos problemas. Mesmo quando não eram chamadas, para o que eram necessários conhecimentos e objetos apropriados, essas forças mantinham contato com as pessoas por meio de sonhos e de sinais que podiam ser facilmente reconhecidos por qualquer membro do grupo. Porém os contatos mais importantes precisam da intermediação de um.

Texto elaborado pela aluna Bárbara integrante do Ónarìn Kojá baseado no livro de SOUZA, Marina de Mello. África e Brasil Africano. São Paulo, Editora Ática, 2010.